dezembro 14, 2019
Saúde

Álcool vicia porque altera a memória, diz estudo

Depois de uma noitada, o normal é acordar de ressaca dizendo aos quatro ventos que não beberá de novo, após algumas horas a vontade de abrir outra garrafa, recomeçar e esquecer toda aquele mal-estar aparece. Ainda tem sempre aquele amigo que diz “pra curar a ressaca é só começar a beber de novo”.

Devido a situações assim, a Universidade de Brown, nos Estados Unidos, iniciou uma pesquisa para descobrir por que essa vontade de parar de beber passa tão rapidamente. O resultado desse estudo, publicado ontem, 25, pela revista Neuron, mostra que isso acontece devido à ação molecular do álcool, que interfere diretamente na memória de quem bebe.

Segundo a neurocientista Karla Kaun, principal autora do estudo, o álcool provoca “memórias de recompensa”, uma sensação positiva gerada por uma ação que faz com que conduz a uma vontade de repeti-la. A ingestão moderada já altera essas memórias. “Buscamos compreender por que o abuso de álcool e outras drogas podem produzir memórias gratificantes quando, na verdade, produzem neurotoxinas”, afirmou.

Como foi feito o estudo

Os pesquisadores utilizaram drosófilas (as moscas-da-fruta) como cobaias e ferramentas genéticas para desativar alguns genes-chaves. Os insetos foram treinados para encontrar mais álcool sempre que “desse vontade”. Esses artrópodes foram escolhido pois possuem cerca de 100 mil neurônios, enquanto os seres humanos têm mais de 100 bilhões.

O consumo de álcool ativa a produção de proteínas capazes de reconhecer a dopamina, que provoca a sensação de bem-estar. Assim sendo, biologicamente, para quem consome a substância, a lembrança sempre será boa, a única coisa que varia é a intensidade do efeito.

A pesquisa continua, com outros tipos de drogas, agora estão estudando os efeitos dos opiáceos, a expectativa é que a conclusão seja semelhante. “Acreditamos que tais resultados podem ser traduzidos para outras formas de vícios”, comentou a neurocientista.

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