Saúde

Dormir menos e melhor?

Muita informação, muitas atividades, correria do dia a dia, problemas, ansiedade, insônia. Não importa qual o motivo que leva a dormir pouco. O que interessa é dormir bem. Algumas experiências já mostram que é possível aumentar a eficiência da atividade noturna do cérebro. Lembrando que dormir mal traz consequências como problemas de memória, propensão a infecções e obesidade.

A ideia dos estudiosos é a possibilidade de otimizar a experiencia do sono e desfrutar melhor dos benefícios do sono profundo. Para isso estão criando as novas técnicas de “otimização do sono”, chegando assim ao sono profundo e melhorando o descanso.

Em uma noite normal, o cérebro passa por diversos estágios diferentes, cada um com um padrão característico de ondas cerebrais. Os neurônios atuam juntos em sincronia, mas cada um com um ritmo específico, como uma multidão cantando e tocando alguma batida em uníssono.

Em seguida acontece o R.E.M., ou “movimento rápido dos olhos” (tradução livre), esse ritmo é o que leva aos sonhos. Em certos momentos os nossos olhos deixam de se mover e o ritmo das ondas cerebrais cai para menos de uma “batida” por segundo, começa aí o sono profundo, conhecido como “sono de ondas lentas”.

É nesse momento que acontece o fluxo de sangue e líquido cefalorraquidiano (material que circula entre o cérebro e a medula espinhal), liberando detritos que poderiam causar danos neurais. Ele também reduz o cortisol, hormônio associado ao estresse, ajudando a rejuvenescer o sistema imunológico.

A solução encontrada pelos pesquisadores do Departamento de Psicologia Médica e Neurobiologia Comportamental da Universidade de Tübingen na Alemanha foi aumentar a produção dessas ondas lentas, impulsionar os benefícios do sono e melhorar nossa atividade diurna.

Técnicas

Em experimento, participantes dormem usando um dispositivo preso à cabeça que acompanha a atividade cerebral e é capaz de notar o início da produção das ondas lentas. Nesse momento, o dispositivo emite pulsos curtos de som suave em intervalos regulares durante a noite, em sincronia com as ondas lentas naturais do cérebro. Os sons são silenciosos o suficiente para não acordar e são altos o necessário para serem registrados, inconscientemente, pelo cérebro.

Uma start-up francesa, Dreem, já produziu uma faixa que usa de estimulação auditiva para ondas lentas. Ela já está disponível no mercado e custa cerca de R$ 1,8 mil ele se conecta a um aplicativo que analisa os padrões de sono e oferece conselhos e exercícios práticos, como meditação, para favorecer uma melhor noite de sono.

Bom sono

Embora já existam diversos estudos nesse campo, essa área ainda está na infância e há muitas promessas no ramo da otimização do sono. Os líderes da pesquisa, Aurore Perrault e Jan Born, são otimistas quanto ao potencial de produtos comerciais que recorrem a pulsos sonoros para estimular ondas lentas regenerativas. Por enquanto, para os pesquisadores, a única maneira garantida de colher todos os benefícios do sono, tanto no curto quanto no longo prazo, é garantir que a pessoa tenha o suficiente dele. Independente de decidir experimentar esses novos dispositivos. Além disso, é preciso dormir mais cedo e evitar o álcool, a cafeína e o uso de telas antes de dormir.

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