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Enel Goiás enfrenta processos e protestos por melhoria na distribuição de energia

A Associação Goiana de Municípios (AGM) entregou ontem (19) uma nota de repudio aos serviços prestados pela Enel Goiás. No texto a associação falou da frequência das interrupções no fornecimento, apontou quais as regiões do Estado que mais sofrem com a má distribuição de energia e comparou os serviços oferecidos pela Celg, em 2016, com os oferecidos pela Enel.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou dois reajustes na tarifa de energia, acumulando um aumento de 35,91% no valor da conta enquanto os índices de qualidade, Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC) e a Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (FEC), tiveram um aumento de 10% e 17%, respectivamente.

As regiões apresentadas pela AGM como as que mais horas ficaram no escuro nos últimos anos são: Cabriuva S2 (Rio Verde, Jataí, Quirinópolis, Montividiu), Cristalina S2 (Cristalina, Ipameri, Luziânia), São João D’Aliança (São João D’Aliança, Alto Paraíso de Goiás), Britânia (Aruanã, Britânia) e Jataí S1 (Mineiros, Caiapônia, Caçu, Doverlândia, Serranópolis, Chapadão do Céu, Itarumã, Portelândia).

Protesto dos produtores rurais

A Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e os produtores de pecuária de leite de todo o Estado organizam um protesto contra a falta de qualidade no fornecimento de energia elétrica na próxima sexta-feira (22), às 13h em frente à sede da Enel no Jardim Goiás em Goiânia.

Em reunião da Faeg com mais de 300 produtores, na última sexta-feira (15), durante o Encontro da Comissão da Pecuária de Leite, o presidente da federação, José Mario Schreiner disse que podem, caso seja necessário, pedir a quebra da concessão da Enel na distribuição de energia.

“Se for preciso nós vamos pedir a quebra da concessão dessa empresa irresponsável. É inadmissível o que eles estão fazendo, não somente com o produtor rural, mas com todo o povo do Estado de Goiás. É a dona de casa, o comércio, a indústria, todos estão sofrendo com essa empresa”, disse o presidente da Faeg.

Cobrança da Aneel

A Aneel determinou que a distribuidora de energia Enel Goiás apresente um plano emergencial de resgate da qualidade do serviço prestado no Estado, que deverá conter ações e investimentos de longo prazo. O comunicado foi divulgado na última sexta-feira (15), no site do órgão.

Cobrança no Procon

Representantes da Enel Distribuição S/A participaram ontem (19) de uma reunião na sede do Procon Goiás para discutir maior qualidade nos serviços oferecidos pela empresa, a superintendente em exercício, Rosânia Nunes, pediu cópia do plano de melhorias da Enel que será entregue a Aneel.

Segundo o Procon, até a última segunda-feira (18) recebeu 588 reclamações dos consumidores, o que representa um aumento de 100% com relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registradas 291 reclamações. As principais reclamações foram: cobranças indevidas, má prestação de serviços decorrentes do tempo de espera para atendimento, inoperância do Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC), o descumprimento de prazos de atendimento telefônico e prejuízos causados por quedas de energias.

Com a abertura dos processos, a superintendente disse que irá aplicar sanções administrativas a Enel previstas no Código de Defesa do Consumidor (CSC), pelos danos causados à população goiana, principalmente com relação as sucessivas quedas de energia. “O consumidor procura o Procon Goiás quando a empresa não conseguiu resolver a demanda, ou não apresentou uma solução para o problema no tempo certo”, disse.

Cobrança da Alego

Os deputados estaduais Alysson Lima (PRB), Bruno Peixoto (MDB) e Henrique Arantes (PTB) entraram com um requerimento parlamentar na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os serviços prestados pela Enel e também possíveis ilegalidades na compra da Celg D pela empresa.

Alysson Lima pede a investigação da venda da Celg D para a Enel em 2016 e os deputados Bruno Peixoto e Henrique Arantes querem que sejam analisados os contratos de prestação de serviços da Enel em Goiás. Os requerimentos ainda não foram votados e a CPI ainda não foi instaurada.

Resposta da Enel

Segundo a empresa italiana Enel ENEI.MI, que controla a Enel Goiás, o plano de melhorias será entregue no tempo solicitado e que as melhorias já estão sendo implantadas desde que assumiu a rede de distribuição do Estado. A companhia disse ainda que os investimentos na região mais que dobrou no último ano, saindo de R$ 300 milhões em 2016 para R$ 800 milhões em 2017.

A Enel afirmou ainda que a duração média das interrupções no serviço foi reduzida em cerca de 6 horas em dezembro, ante o mesmo mês nos anos anteriores e que chegou aos melhores índices DEC e FEC desde 2011.

Mesmo com as melhorias apontadas pela empresa a Enel Goiás continua sendo a pior distribuidora de energia elétrica do Centro-Oeste, segundo o Índice Anual de Satisfação do Consumidor (IASC).

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