Economia

IBGE faz uma radiografia do desemprego no Brasil

Dados divulgados hoje (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 5,2 milhões de brasileiros estão desempregados há mais de um ano. Isso representa cerca de 38,9% das pessoas que não conseguem encontrar emprego. 24,8% desse grupo, cerca de 3,3 milhões estão à margem do mercado de trabalho há dois anos ou mais.

A taxa de desemprego no país subiu para 12,7% no primeiro trimestre de 2019 e atingiu a mar de 13,4 milhões de brasileiros. O maior índice desde maio do ano passado. “A desocupação é expressiva, a qualificação não avança e o que sustenta o mercado é o emprego por conta própria e a informalidade”, afirmou o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Desemprego por estado

Segundo o IBGE o desemprego aumentou em 14 unidades da federação. Os maiores crescimentos foram nos estados do Amapá (20,2%), Bahia (18,3%) e Acre (18%). Em Goiás o número de desempregados subiu de 8,2% para 10,7%, em comparação com o primeiro trimestre de 2018.

A taxa de subutilização da força de trabalho atingiu a marca de 25% e um número recorde de 28,3 milhões de pessoas. Esse grupo, para o IBGE, é formado pelos desocupados, os subocupados com menos de 40 horas semanais e uma parcela de pessoas que estão desempregadas, mas que não conseguem procurar emprego.

Desemprego por grupos

Finalizando a pesquisa o IBGE informou que o desemprego permanece maior entre jovens, mulheres e negros. Para as pessoas que querem trabalhar, mas não conseguem emprego, 44,5% dos jovens com idade entre 14 e 17 estão desempregados. Para aqueles que têm entre 18 e 24 anos, a taxa subiu para 27,3%. Essa média é maior no Nordeste, chegando a 31,9%.

“A crise começou em 2014. Então, o jovem que há quatro anos entrou numa universidade e hoje, com 22 anos está se formando, provavelmente nunca teve uma experiência de trabalho na sua área. Essa qualificação está se perdendo porque ele vai em busca de um emprego mais básico”, observou Cimar Azeredo.

As mulheres seguem na frente dos homens quando o assunto é desemprego. Dentre os 13,4 milhões de brasileiros fora do mercado de trabalho 52,6% são mulheres, quando se expande para a população desocupada e fora da força de trabalho o índice sobe para 64,6% de mulheres nessa situação.

A pesquisa mostra também que aqueles que se declaram pretos e pardos estão em maior número na taxa de desocupação. Pretos 16% e pardos 14,5%, acima da média nacional, que é de 12,7%. Entre os desempregados os pardos representam a maior parcela 51,2%, seguido dos brancos (35,2%) e pretos (10,2%).

O site de notícias G1, fez um infográfico que mostra como está a taxa de desemprego no Brasil.

Houve aumento entre os desempregados também quando ao nível de instrução. 56,4% do total tem o ensino médio, 22,1% não tem nem o ensino fundamental completo e 10,4% possuem nível superior completo. O coordenador da pesquisa destacou qual o perfil do brasileiro que enfrenta mais problemas em conseguir emprego hoje. São homens adultos, preto ou pardo e que mora no Nordeste. “São pessoas menos qualificadas, arrimos de família, que eram chão de fábrica, de canteiros de obras, ou da agricultura e foram empurrados para informalidade. A mulher é quem sempre mais sofre nas crises, mas essa crise acaba prejudicando principalmente homens e a população do Nordeste”, concluiu.

Matérias relacionadas