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Projeto de permuta não agrada à população do Alto da Boa Vista

Foto: Rondenilson de Paula / Câmara Municipal de Nerópolis

A Câmara Municipal de Nerópolis convocou à população do Setor Alto da Boa Vista, o prefeito Gil Tavares e os representantes da Moinho Mattos para uma audiência pública de esclarecimento de um acordo público-privado para a pavimentação asfáltica do setor. A população não ficou satisfeita com as condições apresentadas pelo executivo municipal durante a audiência.

O advogado de regularização fundiária da Prefeitura de Nerópolis, Dr. Rodrigo de Moura Guedes, apresentou o projeto que transformaria parte das ruas Isaura Dias do Carmo, Juvenal Xavier e Antônio de Bastos em áreas públicas municipais (APM) e seriam permutadas com os empresários da Moinho Mattos. A indústria ficaria com as áreas e, em contrapartida, custearia toda a massa asfáltica necessária para pavimentar as ruas do Alto da Boa Vista.

O plenário da Câmara ficou cheio de pessoas que descordavam do projeto e alegavam que a parte da Rua Isaura Dias do Carmo destinada à permuta já era utilizada pela indústria sem a liberação da Prefeitura e que eles não cederiam as outras duas áreas, já que as mesmas dão acesso ao setor.

Durante a explanação, o advogado, explicou que, por questões de segurança, as vias de acesso da GO-080 para o Alto da Boa Vista seriam fechadas de qualquer forma, além disso, no projeto inicial do loteamento o setor teria uma área verde entre a rodovia e a Rua Isaura Dias do Carmo.

Após a explicação o vereador Carlos Roberto Pereira (Carlim do Pesque-Pague) perguntou porque a Agência Goiana de Transporte e Obras (Agetop) proibia algumas vias de acesso e liberava outras. O engenheiro civil e morador do Alto da Boa Vista, Genilson Rosa Fernandes, respondeu que o projeto apresentado à Agetop não dava opções para aprovação, pois o projeto já chegou lá fechado.

Genilson também deu outras sugestões para atender à população e à indústria: implantar redutores de velocidade para segurança no acesso às ruas Juvenal Xavier e Antônio de Bastos e transformaria apenas a Rua Isaura Dias do Carmo em APM e cederia à Moinho Mattos, “eles já tomaram conta dela mesmo, com caminhões e empilhadeiras”, completou.

“Não sou contra o asfalto, mas sou contra vender rua, porque isso aqui é uma venda de rua”, afirmou o morador do setor, Leandro Vieira da Silva, resumindo assim a indignação da população. “Estão querendo sitiar o bairro”, finalizou.

O prefeito Gil Tavares, no fim da audiência, disse que agora será necessário um novo projeto com as ressalvas feitas pela população. Ele terá que ser aprovado novamente pela Agetop, mas que assim que estiver concluído será apresentado à população. “É preciso acatar a opinião do povo, somos meros representantes”, afirmou.

Com a diminuição das APMs para permuta, a indústria não irá mais custear toda a massa asfáltica. Ao ser questionado com relação à verba necessária para a conclusão da obra, o prefeito acrescentou que, mesmo com o pagamento de 100% do material, a Prefeitura ainda teria que arcar com as galerias fluviais e meios-fios. “Assim sendo, termos que buscar mais recursos federais, junto ao Ministério das Cidades, para finalizar a obra, vamos priorizar as ruas com mais residências, depois encontraremos formas de asfaltar as outras”.

O projeto

O Setor Alto da Boa Vista possui mais de 132 mil metros quadrados de ruas sem asfalto, cerca de 81% do bairro. A proposta da Prefeitura é de transformar parte das ruas Isaura Dias do Carmo, Juvenal Xavier e Antônio de Bastos em APMs e ceder à indústria Moinho Mattos que uniria as quadras 1, 2 e 3, de propriedade da empresa, para ampliação da mesma. Em contrapartida os empresários custeariam R$ 1,3 milhão em massa asfáltica para a pavimentação de todas as ruas do setor.

Entenda a situação

Em agosto de 2017 o prefeito Gil Tavares realizou uma audiência pública no Setor Alto da Boa Vista afirmando que buscava junto ao Governo Federal, Agetop e a parcerias público-privadas formas para asfaltar o bairro. Agora, no início de outubro, enviou à Câmara Municipal o projeto para a execução da obra de acordo com o que foi apresentado ontem.

Os vereadores então se reuniram e decidiram que era necessário ouvir a opinião dos moradores, pois o projeto envolvia o fechamento de ruas, que poderia causar prejuízos financeiros (desvalorização de imóveis), de segurança e de tráfego aos residentes e empresários do bairro. O presidente da Câmara Municipal de Nerópolis, Padre Valdemar Barbosa, deixou bem claro que só iria abrir o projeto para votação em sessão depois de ouvir a opinião da população. “Somos representantes do povo, estamos aqui para atender ao anseio deles”, exaltou.

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