Saúde

Teoria de que um pouco de álcool por dia faria bem à saúde é contestada

Foto: Christopher Furlong/Getty Images

A revista científica The Lancet publicou um estudo que contesta a teoria de que o consumo moderado de álcool proteja as pessoas contra acidentes vasculares cerebrais (AVC). A pesquisa aponta que a relação é exatamente o inverso: a ingestão excessiva de álcool aumenta diretamente a pressão sanguínea e o risco de derrame.

A investigação vem sendo desenvolvida há cerca de 10 anos, por especialistas das universidades de Oxford e Pequim e pela Academia Chinesa de Ciências Médicas, através de registros hospitalares e de mortalidade de 512.715 pessoas da Ásia Oriental. A observação os dados coletados contestam a teoria de que beber moderadamente pode proteger contra AVC.

Outras variantes também foram estudadas, relações genéticas, tabaco e outras substancias que poderiam ter sido utilizadas simultaneamente com o álcool. “Nas populações da Ásia Oriental existem variantes genéticas comuns que reduzem a tolerância ao álcool, uma vez que causam uma reação extremamente desagradável após o seu consumo”, esclarece a publicação na revista.

A metodologia empregada na pesquisa também é inédita e mais decisiva nos resultados. A principal autora do estudo, Iona Millwood, da Unidade de Pesquisa de Saúde Populacional da Universidade de Oxford, disse que utiliza análise genética para avaliar os efeitos do álcool. “Usar a genética é um novo método de avaliar os efeitos do álcool sobre a saúde e descobrir se a bebida moderada é realmente protetora ou prejudicial”, publicou.

“Os investigadores concluíram que o álcool aumenta o risco de acontecer um derrame em cerca de um terço (35%) por cada quatro doses adicionais por dia (280 gramas de álcool por semana), sem efeitos protetores associados a ingestão leve ou moderada”, aponta o comunicado.

Em resumo, os cientistas identificaram que o consumo moderado não tem influência sobre os riscos de AVC, mas que, ao consumir 280 gramas ou mais de álcool por semana aumenta o perigo de ter rompimento de vasos sanguíneos, devido ao aumento da pressão. Já a relação do álcool com o risco de infartos foi “inconclusivo”, nessa pesquisa. Outro grupo será estudado para conferir se há alguma analogia.

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